quarta-feira, novembro 01, 2006

A crise nos aeroportos e a imprensa que força a barra

O mundo do jornalismo é mesmo um teatro. É até engraçado ver a cobertura nos aeroportos brasileiros, após os controladores de vôos iniciarem a operação padrão, em protesto contra as péssimas condições de trabalho que têm. A precariedade na atividade dos controladores veio à tona depois do trágico acidente com o vôo da Gol, ocorrido em setembro, quando morreram 154 pessoas.

Alguns jornais brasileiros, como a Folha de São Paulo (foto), trouxeram hoje fotos de pessoas dormindo nos aeroportos, como se isso fosse um fato inédito, que surgiu agora. Cabe lembrar que em qualquer aeroporto internacional do mundo é comum ver pessoas dormindo. Isso acontece geralmente devido aos horários ingratos das conexões e aos fusos horários.

Os repórteres que entram ao vivo nos programas de TV forçam a barra para mostrar um caos, que, em alguns locais, não existe. Para eles, atraso de meia hora já é uma tragédia e, mesmo que o passageiro diga que não está incomodado, os jornalistas insistem para que ele afirme que aqueles 30 minutos vão impedir um compromisso de vida ou morte.

Na manhã desta quarta-feira, no programa Hoje em Dia, da TV Record, o jornalista Britto Júnior travou um diálogo com o apresentador Edu Guedes, no mínimo inadequado. Britto disse que era um absurdo uma pessoa investir tanto dinheiro na compra de um jatinho e não poder decolar.
Edu respondeu que realmente era um absurdo, pois o preço de um jatinho não se resumia ao valor que ele custava ao ser comprado, mas incluía também as despesas que ele representa a cada mês.

Homer Simpson, que deve andar espremido em ônibus lotado, provavelmente achou a conversa ridícula.

3 comentários:

leticia goncalves disse...

As palavras mais presentes nas matérias (principalmente nos títulos) são "caos" e "terror".

Dá até para confundir com a cobertura sobre o Iraque...rs

carol veiga disse...

Tudo o que atinge a classe média, alta e AA costuma ser considerado "terror" e "caos". Daqui a pouco, de uma forma ou de outra, irão resolver o problema. Afinal, a crise (grave, diga-se de passagem) está mexendo com o bem-estar das classes mais favorecidas. Nada contra resolver rapidamente, tem que se resolver mesmo, mas não alarmar dessa forma. Concordo contigo Serginho. E gostei da nova cara do blog! Beijos, Carol. (Já escrevendo o volume II do livro! rs)

The human who sold the world disse...

Se tivesse um South Park brasileiro ia virar piada.