sexta-feira, outubro 20, 2006

A MANCHA MARROM DA IMPRENSA NA COBERTURA ELEITORAL: A GRAVAÇÃO DA CONVERSA COM O DELEGADO BRUNO, DA PF

Republico aqui a conversa polêmica entre jornalistas e o delegado da Polícia Federal, Edmilson Pereira Bruno (foto), na hora em que ele entregou para a imprensa o CD com as fotos do dinheiro apreendido com petistas, que seria destinado ao pagamento do dossiê contra o PSDB. É um triste fato do jornalismo brasileiro, que se diz imparcial. O texto foi originalmente publicado no blog do jornalista Paulo Henrique Amorim, onde você também pode ouvir a gravação.

Paticiparam da conversa os jornalistas Lilian Christofoletti, da Folha de S. Paulo; Paulo Baraldi, do jornal O Estado de S. Paulo; Tatiana Farah, do jornal O Globo e André Guilherme, da rádio Jovem Pan.

Veja o texto:

Delegado Edmilson Bruno – Aqui prova, aqui tem um milhão 168, Caixa Econômica Federal. Isso aqui é um dinheiro que está na custódia da Caixa Econômica, ó, é da Protege, ficou na Polícia Federal. (...) Custódia a fonte, custódia. São os reais. Tira o nome da Protege, pra não saber que ta na Protege. Eu tenho outros documentos que falam assim (...) Da Polícia Federal. (...) E tem outro da Caixa Econômica Federal, de 300 mil os depósitos (...) juntar num malote só. Tem a foto desse malote.

Repórter – São quantas fotos, 12 fotos?

Delegado Edmilson Bruno - Eu tenho um monte.

Repórter – Isso é cópia, doutor?

Delegado Edmilson Bruno – Não, esse aqui é o original, vocês precisam me trazer duas cópias de volta. Esse é o original, ó. Do Banco Central como é que tá? Tá os dólares, e aí eu coloquei o envelope atrás do Banco Central no meu nome, assim: 248 mil dólares endereçado a Edmilson Pereira Bruno, para provar que é o dinheiro dos dólares. Porque, como eu fiz depósito, eu fiz em meu nome no Banco Central. Mas só pra diferenciar. Inclusive nos dólares, tem notas novas e velhas. Nas velhas, tem carimbo do doleiro, que a gente vai fazer a perícia antes do (...) Vocês têm que trazer isso aqui antes do meio-dia, em algum lugar que tira cópia.

Repórter – Alguém sabe onde a gente pode tirar cópia?

Delegado Edmilson Bruno – Não sei, tem essas duas mídias (...)

Repórter – Aqui não tem nada.

Delegado Edmilson Bruno – Não tem nada, precisa me devolver.

Repórter – Então, não, vamos levar nessa mídia.

Delegado Edmilson Bruno – Eu preciso que vocês devolvam pelo menos uma. Vocês tiram mais cópias pra vocês.

Repórter – Tá, não, beleza.

Delegado Edmilson Bruno – Agora, ele não, porque é rádio.

Repórter – É, eu não preciso.

Delegado Edmilson Bruno – Vocês divulgam isso até as seis da tarde?

Repórter – Não, não.

Delegado Edmilson Bruno – Porque alguém que roubou e deu pra vocês. (...) Agora, é.

Repórter – Quem tá de carro aqui pra poder pegar um carro (...)?

Repórter – Então, eu to sem carro e ela tá sozinha. (...) Não, tudo bem. (...)

Delegado Edmilson Bruno - Isso aqui é minha cópia, tem que fazer cópia para vocês... (...)

Delegado Edmilson Bruno – Eu vou confiar em vocês. Vai parecer que alguém roubou e vazou para a imprensa. Mais ninguém tem isso aí, só eu. Nem o superintendente (...) Quando vocês passarem na TV, pessoal, tira o nome da Protege e tira essa data aqui.

Repórter – Tira a data...

Repórter – A data pode deixar. (...)

Delegado Edmilson Bruno – E no Banco Central (...) essa aqui é a foto da Globo (...) Aí tem o envelope escrito Banco Central (...) e todos os dados do dinheiro o meu nome. (...)

Delegado Edmilson Bruno – Tem que fazer um photoshop porque tem foto que aparece o pessoal da Protege do lado contando o dinheiro.

Repórter – E como faz pra entregar pro senhor?

Delegado Bruno - Então você me liga, eu desço...

Repórter – E para abrir não tem senha, nada?

Delegado Edmilson Bruno – Não, é direto. (...) É uma mídia comum. (...)

Repórter – (...) Que foi furtado?

Delegado Edmilson Bruno – Não, vou chegar para o superintendente e falar, “doutor, fui furtado, mas já falei com os repórteres, ninguém sabe de nada, mas eu to desconfiado, sabe como é, não dá pra confiar em repórter, não dá mesmo”. Agora eu conto com vocês, porque podem abrir uma sindicância contra mim, um processo.

Repórter – Mas quem o senhor vai falar que teria roubado?

Delegado Edmilson Bruno – Não sei, “N” pessoas poderiam ter entrado na minha sala, faxineiro (...) Eu tive acesso a isso ontem às cinco horas da tarde.

Repórter – Mas foi um repórter que entrou na sala do senhor?

Delegado Bruno – Não (...) se vazou, não estou falando que foi um repórter não. É que os repórteres não estão sabendo de nada, não dá pra confiar em repórter (...) o que estou dizendo para vocês é que meu telefone vai estar grampeado.

Repórter – É, por isso que o senhor ligou daquele jeito...

Delegado Edmilson Bruno – Desesperado. (...)

Delegado Edmilson Bruno – Agora é o seguinte, tem alguém da TV Globo aí?

Repórter – Tem o Bocardi. (...)

Delegado Edmilson Bruno – Mas tem alguém da Globo aqui, da TV.

Repórter – Tem o Bocardi.

Delegado Edmilson Bruno - Não é o Tralli, né? O Tralli está muito visado (...)

Repórter – Não, é o Bocardi

Repórter – Eu falo com o Rodrigo, pode deixar (...)

Delegado Edmilson Bruno – Ah é, tem o (...)

Repórter – Eu vou falar com o Rodrigo Bocardi, aí ele (...)

Repórter –Não, está certo, o legal é contar esta história (...)


Repórter – ... isso só pode sair amanhã na TV (...)

Delegado Edmilson Bruno – Não, tem que sair hoje à noite (...) pode ser no jornal da Globo no primeiro horário, não pode ser à tarde...

Repórter – por exemplo (...)

Delegado Edmilson Bruno –Tem que sair no Jornal Nacional e na Ana Paula Padrão. Isso aí vazou ontem, então tem que fazer hoje de manhã. O que não pode é perder (...) tem que entrar no jornal logo no primeiro horário da noite, não pode já sair no Jornal Hoje.

Delegado Edmilson Bruno – eles já levantaram (...)

Repórter – (...) mas e a agenda? Não, né?

Repórter – Quem é o André que você falou (...) ?

Delegado Edmilson Bruno – ... este nome aqui já divulgou – André (...) esse cara aqui, venderam a Danone, foram milhões e milhões. Toda vez que o PT precisa de dinheiro eles dão dinheiro para o PT. Tem o Ricardo (...) e o André. Estão investigando para mim (...)

Repórter – ele tem empreiteira também, né?

Delegado Edmilson Bruno – Isso. Toda vez que o PT precisa de dinheiro eles dão dinheiro para o PT, e depois como o PT faz (...) ele devolve.


Repórter – A polícia está atrás disso então?

Delegado Edmilson Bruno – Não, isso aqui (...)

Repórter – Não, a gente está atrás disso (...)

Delegado Edmilson Bruno – ... lembra quando uma empresa entrou de sócio, que era da revista? Eu estou achando que este André (...) tudo o que o PT precisa de grana, grana que não pode sair(...), esse cara dá. E quando o PT consegue dinheiro por fora devolve para ele.

Repórter – Ele é o que, o que ele faz?

Repórter – uma empresa de consultoria(...)

Delegado Edmilson Bruno – venderam a Danone por R$ 400 milhões, eram donos da Danone no Brasil, a Danone francesa. Eles venderam a parte deles.

Repórter – Por que o senhor acha que são eles, tem algum grampo?

Delegado Edmilson Bruno – Não, estou desconfiado porque (...) dinheiro por fora (...) a grana está vindo, o (...) banca, depois eles devolvem.

Repórter – Eles emprestam.

Delegado Edmilson Bruno – Isso. É possível então falar com a Globo, a Band?

Repórter – Não, pode ficar sossegado (...) A gente vai passar (...)

Delegado Edmilson Bruno –Tem que sair no primeiro horário da noite, não pode sair ao meio-dia (...)

Repórter – no primeiro não, no último (...)

Delegado Edmilson Bruno – Tem que ser no primeiro, gente. Eu vou fazer o alarde agora com o superintendente... quem vai assistir ao jornal à meia-noite? Eu quero que o público todo veja. Porque você não sabe o que me tiraram (...) não é que é vingança minha, me sacanearam. Enquanto eu estava sendo ouvido sabia que foram lá no Banco Central antes de mim e tiraram fotos antes e deram para o FBI? Fizeram isso, no meu nome, pegaram o meu protocolo... como eu estava com os peritos... então agora nós vamos fazer a perícia...

Repórter – Tá, combinado.

Repórter - Aí eu ligo para o senhor.

Delegado Edmilson Bruno – Então Globo e Band eu fico tranqüilo?

Repórter – Pode ficar, pode ficar.

Delegado Edmilson Bruno – Que hora é o Jornal Nacional, oito da noite? Vou ligar a TV nesse horário, hein?

Repórter – Pode ficar sossegado.

Repórter – Tchau, doutor.

(Foto: Conversa Afiada)

Um comentário:

The human who sold the world disse...

E o Brasil continua podre.

Cada vez q leio algo desse tipo no teu blog, fico deprimida ainda mais.

Eu vivo em um país de pessoas corrompidas. :-(