terça-feira, dezembro 13, 2005

ALICE

O governador do Espírito Santo finalmente decidiu se pronunciar a respeito do grampo na Rede Gazeta. Paulo Hartung (foto) disse que o estado vai investigar e, como todos os envolvidos no caso, não se responsabilizou ou responsabilizou o seu governo pela atrocidade. Parecia que estava falando sobre um acontecimento muito, muito distante do mundo das maravilhas que administra. A entrevista, feita por Felipe Quintino e publicada no jornal A Gazeta, está transcrita no Ponto de Análises Textos. (Foto: Folha)

4 comentários:

Gux disse...

Sérgio,
e aí cara? Cadê você? Chegou, tá comendo caranguejo até agora, como é que é? :)
Enfim, queria falar sobre esse episódio aí do "grampo".
Vejo um irritante exagero da parte da Rede Gazeta e dos jornalistas que se fazem solidários ao ocorrido.
Quando você diz "...tem telefones" no título de um dos seus posts, você se enganou. Foi apenas um. Esse um que faz parte da central telefônica da Rede. Isto é, quando alguém de empresa (pode ser de qualquer departamento: comercial, financeiro, marketing, comunicação interna e, claro, redações) liga para um telefone celular, a central busca uma linha de celular para fazer a ligação. O que barateia o custo, pois como todo mundo sabe, ligação de celular para celular é mais barato. Portanto, não é o número do jornalista A, B ou C. Ou da redação do jornal ou da TV. Enfim, é geral.
Onde quero chegar com isso? Quero dizer que, ao que tudo indica, foi um erro grosseiro das autoridades competentes. Aliás, não tão competentes assim, pois o absurdo nessa história toda está mais na banalização desses pedidos de grampo do que o grampo feito num 9944 sei lá o quê da Rede Gazeta.
Tiro desse carnaval todo duas conclusões: uma é que o jornal A Gazeta se vê tão desesperado em aumentar o número de leitores que faz um estardalhaço imenso num erro tão idiota. Outra é que jornalista (desculpe, generalizando, ok) adora encher a boca pra falar sobre liberdade de imprensa. Vejo uma necessidade nostálgica de dizer que está sendo censurado. Ah, francamente. Só falta abrir o jornal e me deparar com uma entrevista dA Gazeta com leitor que assina o jornal há 156 anos pra falar sobre "OS GRAMPOS NOS TELEFONES DA REDE GAZETA"... rs...
Outra: merecia mesmo o Rodney ser exonerado por causa disso? Já fiquei sabendo, por uma fonte seguríssima (me sinto um jornalista! :), que o Café nem queria a cabeça dele.
Cara, eles gravaram conversas do departamento comercial negociando cadernos especiais, gravaram alguém na redação recebendo notícia pelo telefone, gravaram eu ligando pra OPEC pra ver se receberam o anúncio que eu mandei. Isso que eles gravaram.

Sergio Denicoli disse...

Gustavo, a questão vai muito além da Gazeta, ela passa pela liberdade de imprensa. Não é uma coisa pequena que fizeram um estardalhaço. É um coisa sem precedentes no mundo jornalístico dos países que se dizem democráticos. Estão ferindo a liberdade do cidadão. Como vc se sentiria se suas conversas estivessem sendo gravadas? Se vivemos num país livre, a liberdade passa pelo respeito à privacidade. E, por se tratar de uma empresa de comunicação, onde o sigilo é um ítem principal para o bom exercício da profissão, principalmente por causa das fontes, isso é ainda mais grave e sério. Não grampearam apenas a Gazeta. Grampearam a Rede Globo por conta de uma morte de repercussão nacional que deveria ser apurada com seriedade. O que me pergunto é: será que apenas A Gazeta foi grampeada? E se o aparelho chamado "Guardião" estiver sendo utilizado para fins políticos e servindo para grampear telefones de quem faz oposição a esse governo? Vamos ser um pouquinho mais críticos. A formação de um país melhor passa pela consciência de pessoas que, como você, são formadores de opinião.

Gustavo disse...

Cara não sou muito fã de réplicas, mas preciso apenas fazer uma ressalva. Acho que não é uma questão de ser "um pouquinho mais crítico". É uma questão de opinião sobre a reação da imprensa. E sua, consequentemente. Claro, reconheço os agravantes que esse erro nos mostra. Como disse, fico preocupado sim é com a facilidade, a irresponsabilidade e a más intenções de certas pessoas no uso do grampo. Aliás, me parece que você é contra essa polêmica "ferramenta" da justiça. Tudo bem. Você confirmou o que eu disse: minha preocupação maior está na banalização desses grampos. Agora, dizer que esse fato "sangrou a democracia do país", aí sim, eu acho muito exagerada. Exagero seu e de muita gente, principalmente, claro, da Gazeta. E volto a repetir: esse telefone grampeado não é de nenhum jornalista em específico. Fala-se como se alguém ou a redação do jornal tivesse sido grampeada... Enfim, é minha opinião, opinião de um cidadão bem crítico.

Sergio Denicoli disse...

Foram mais de 100 jornalistas que tiveram as conversas gravadas. O telefone é de uma central e, por meio dela, o grampo atingia inúmeros telefones. Todas as ligações feitas dos telefones fixos da Gazeta para celulares passavem pelo número da central.
É grave sim Gustavo. Num momento em que a justiça, que deveria prezar pelas leis, permite o grampo de uma empresa de comunicação isso é uma grande violência à democracia. Pense institucionalmente e acredito que vc vai entender o que quero dizer. Sem instituições fortes ou com elas sujeitas à espionagem oficial não se forma um país. Mas falamos pessoalmente. Manda por email seus telefones pq meu celular do Brasil pifou rs. Abração.