quarta-feira, julho 13, 2005

LULA EUFÓRICO II

Quando se confirmou que o publicitário Marcos Valério avalizava empréstimos do PT, o Planalto ficou encurralado. Na última sexta-feira, um Lula abatido – e sem dor de barriga – tentava demonstrar, no Palácio do Planalto, tranqüilidade ao dar posse a três ministros do PMDB. Ao discursar na tarde daquele dia, ele voltou a fazer piadas e usar frases de auto-ajuda e metáforas. "Quando alguém quer ir a um bar tomar aperitivo, ele não chega lá e toma uma garrafa de cachaça inteira. Ele vai pedindo uma por uma", disse o presidente ao defender a venda fracionada de remédios. A fórmula de discurso foi a mesma utilizada no início do mandato, quando a vida era só festa.
A diferença é que, agora, Lula não mostra espontaneidade. Ele se esforça para ser o Lula tão criticado pelos analistas exigentes e mal-humorados que, nos primeiros meses de governo, apontavam erros de concordância em cada frase dos discursos. Lula se esforça para repetir gafes que eram anotadas pela imprensa, naqueles tempos de festa, mas que nunca foram suficientes para derrubar a bolsa. Ele se esforça para vender como espontâneas as bobagens de sempre. Faz de tudo para parecer o mesmo Lula das polêmicas inofensivas.

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