quarta-feira, julho 13, 2005

LULA EUFÓRICO I

Uma pesquisa da CNT, entidade ligada ao PFL, mostrou que o tráfego intenso de malas com dólares não atingiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas desde o início da crise, Lula demonstrou várias vezes a irritação com os críticos que o comparam a Fernando Collor. Deve mesmo ser difícil para o presidente, um líder da esquerda que sempre aumentou o tom da voz para falar de ética, saber que agora também existem um tesoureiro com charuto na boca, uma secretária com agenda recheada de nomes suspeitos e até um motorista para falar de roteiros do dinheiro sujo. Tão ruim deve ser ouvir que há semelhança entre ele e João Goulart, que se omitiu diante da farra de pessoas próximas. Logo ele, Lula, um pernambucano que nunca teve um Vargas como padrinho.
No final do mês de junho, na fase inicial da crise, num evento organizado por sindicatos rurais na cidade goiana de Luziânia, o presidente se esforçou para não comentar as denúncias de corrupção que começavam a aparecer. A fisionomia abatida dele naquele dia tinha explicação: sofria uma tremenda dor de barriga, que o obrigou a deixar o palco duas vezes. Durante o ato, ele nem coçava a barba ou colocava as mãos no bolso, sinais que apresenta em momentos de nervosismo e ansiedade. Ao voltar do banheiro pela segunda vez, Lula não segurou a língua e, num duro discurso, criticou tucanos e pefelistas de tentarem antecipar o jogo sucessório, como se as denúncias não tivessem partido da própria base aliada no Congresso. O presidente chegou a dizer que era a pessoa com mais autoridade ética e moral no País.

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